O cultivo embrionário é a parte da fertilização in vitro que acontece longe da paciente, no laboratório, e por isso é a que menos se vê. Ele começa depois da fecundação e termina quando o embrião é transferido ao útero ou congelado. Esta página explica o que acontece nessa fase, com as definições de fonte pública, o que perguntar à clínica e o que a norma do Conselho Federal de Medicina e a norma sanitária da Anvisa dizem sobre ela. As decisões do laboratório e da equipe médica não são descritas aqui.
O que é
O cultivo é o período em que o óvulo fecundado se desenvolve fora do corpo. A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve que, quando a fecundação acontece, os embriões formados são acompanhados para conferir como estão se desenvolvendo.
As fases do desenvolvimento têm nomes técnicos, definidos no glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017:
- Fecundação: a sequência de processos biológicos que começa com a entrada de um espermatozoide num oócito maduro e segue com a formação dos pronúcleos.
- Pronúcleos: estruturas arredondadas que normalmente aparecem em número de dois depois da fecundação, um com os cromossomos do óvulo e outro com os do espermatozoide.
- Zigoto: a célula única que resulta da fecundação, antes da primeira divisão.
- Embrião em clivagem: o embrião a partir do estágio de duas células, antes da mórula.
- Mórula: o embrião formado depois da compactação, quando as células se unem numa massa sólida.
- Blastocisto: o estágio em que o embrião tem uma cavidade central cheia de líquido, uma camada externa de células, o trofectoderma, e um grupo interno de células, a massa celular interna.
O glossário acrescenta que o trofectoderma tem potencial para formar a placenta e as membranas, e que a massa celular interna reúne células com potencial para formar os tecidos do corpo. A norma sanitária brasileira define embrião como o produto da fusão das células germinativas, até 14 dias após a fertilização ou até o início da formação da estrutura que dará origem ao sistema nervoso. art. 3º, XVI · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026
Em que situação costuma ser proposta
O cultivo não é uma escolha à parte: ele existe em toda técnica em que a fecundação acontece no laboratório, a fertilização in vitro convencional e a ICSI. O glossário define a transferência como a colocação no útero de um embrião em qualquer estágio, e a HFEA registra que os embriões podem ser congelados em estágios diferentes; em que estágio isso acontece é decisão da equipe, caso a caso.
Os estágios citados pela HFEA são o de uma célula só, o de duas a oito células e o de blastocisto. Ela registra também que nem todo embrião é adequado para congelar, e que só os de boa qualidade são escolhidos para isso. Quando há teste genético, o laboratório retira células do embrião para a análise, como explica diagnóstico genético (PGT).
A sequência de etapas
Sem tempo, conduta ou técnica de laboratório, o cultivo costuma seguir esta ordem:
Estimulação ovariana
Etapa conduzida pelo médico responsável, antes da coleta.
▸ A etapaColeta e punção
Os óvulos são retirados em procedimento na clínica.
▸ A etapaCultivo embrionário
A fecundação e os primeiros dias do embrião, no laboratório.
▸ A etapaTransferência de embriões
O embrião é levado ao útero; o número segue a norma.
▸ A etapaCongelamento dos excedentes
Os embriões viáveis que não foram transferidos são criopreservados.
▸ A etapa
- Fecundação no laboratório, convencional ou por ICSI.
- Formação dos pronúcleos, que o glossário põe como parte da fecundação.
- Desenvolvimento do embrião, pelos estágios de clivagem, mórula e, quando o cultivo se estende, blastocisto.
- Avaliação dos embriões pela equipe, que acompanha como cada um se desenvolve.
- Comunicação aos pacientes do número total de embriões gerados.
- Transferência de um ou mais embriões ao útero, ou congelamento de todos.
- Congelamento dos excedentes viáveis.
A comunicação do passo 5 é exigência da norma do CFM, que manda informar aos pacientes o número total de embriões gerados em laboratório, para que decidam quantos serão transferidos a fresco. Cap. V, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A transferência está em transferência de embriões e o congelamento em criopreservação de embriões.
O glossário também define alguns termos que podem aparecer nos relatórios: a eclosão, quando o blastocisto sai da camada que o envolve, chamada zona pelúcida; e a eclosão assistida, procedimento de laboratório em que essa camada é afinada ou perfurada. Termos de laboratório no relatório são uma boa razão para pedir explicação.
O que o orçamento detalha
Sem valores, algumas linhas a conferir no item de laboratório do orçamento:
- Se o cultivo prolongado até o estágio de blastocisto tem cobrança própria.
- Se a ICSI está incluída no laboratório ou cobrada à parte.
- Se procedimentos de laboratório opcionais, como a eclosão assistida, são oferecidos e cobrados à parte.
- Se a biópsia para teste genético, quando proposta, entra no laboratório ou é outro item.
- O congelamento dos embriões excedentes e a manutenção ao longo do tempo.
O que um orçamento por escrito precisa separar está em o que o orçamento precisa detalhar.
O que perguntar
Perguntas para levar à consulta:
Para levar à consulta
Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸
A terceira pergunta tem base em duas normas. A do CFM manda comunicar o número total de embriões gerados. A sanitária manda o centro de reprodução dispor de canal de comunicação com os pacientes, para que relatórios com informações sobre a evolução dos embriões cultivados em laboratório sejam encaminhados depois de etapas críticas de processamento, como congelamento, descongelamento, descarte e transferência. art. 88 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 Esses relatórios devem trazer informações como o número de oócitos inseminados e fertilizados e de embriões formados, e são anexados ao prontuário. art. 88, §§ 1º e 2º · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 A quarta pergunta existe porque a norma do CFM fala em excedentes viáveis, mas não define viabilidade nem diz quem a avalia, como mostra o que acontece com os embriões excedentes.
O que a norma define
As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Lida a resolução inteira, ela não usa a palavra cultivo nem descreve os estágios do embrião. O que ela define sobre o embrião no laboratório:
Limite de tempo. O tempo máximo de desenvolvimento de embriões in vitro é de até 14 dias. Cap. VI, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 É um teto ético para qualquer embrião, e não a duração do cultivo, que a norma não fixa. O limite também aparece em diagnóstico genético pré-implantação.
Número de embriões. O número total de embriões gerados é comunicado aos pacientes, e os excedentes viáveis devem ser criopreservados. Cap. V, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O Código de Ética Médica acrescenta que, na procriação medicamente assistida, a fertilização não deve conduzir sistematicamente à ocorrência de embriões supranumerários. art. 15, § 1º · Res. CFM 2.217/2018 (Código de Ética Médica) · consulta em 04/11/2026
Sem seleção de características. As técnicas não podem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica da criança, exceto para evitar doenças no possível descendente. Cap. I, item 5 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Finalidade e registro. É proibida a fecundação de oócitos humanos com qualquer outra finalidade que não a procriação humana. Cap. I, item 6 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A clínica mantém registro permanente dos procedimentos laboratoriais na manipulação de gametas e embriões. Cap. III, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 E o diretor técnico médico responde por todos os procedimentos médicos e laboratoriais executados. Cap. III, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Destino. Antes da geração dos embriões, os pacientes manifestam por escrito a vontade sobre o destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento, e se desejam doá-los. Cap. V, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.
Perguntas frequentes
O que é cultivo embrionário?
É a fase da fertilização in vitro em que o óvulo fecundado se desenvolve no laboratório, sob acompanhamento, até ser transferido ao útero ou congelado. A HFEA registra que, quando há fecundação, o desenvolvimento dos embriões é acompanhado pelo laboratório.
O que é blastocisto?
É um estágio do desenvolvimento do embrião antes da implantação. Pelo glossário internacional de 2017, o blastocisto tem uma cavidade central cheia de líquido, uma camada externa de células, o trofectoderma, e um grupo interno de células, a massa celular interna.
Por quanto tempo o embrião pode ficar no laboratório?
A Resolução CFM 2.320/2022 diz que o tempo máximo de desenvolvimento de embriões in vitro é de até 14 dias (Cap. VI, item 3). É um teto ético. A norma não fixa a duração do cultivo em cada caso.
A clínica precisa me informar o que aconteceu com os embriões no laboratório?
A norma sanitária manda o centro de reprodução encaminhar aos pacientes relatórios sobre a evolução dos embriões cultivados, depois de etapas críticas como congelamento, descongelamento, descarte e transferência, com informações como o número de embriões formados (RDC 771/2022, art. 88).
Fontes
- Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
sistemas.cfm.org.br ↗O tempo máximo de desenvolvimento de embriões in vitro é de até 14 (quatorze) dias.
consulta em 04/11/2026 - Res. CFM 2.217/2018: Código de Ética Médica (D.O.U. de 01/11/2018)
sistemas.cfm.org.br ↗a fertilização não deve conduzir sistematicamente à ocorrência de embriões supranumerários
consulta em 04/11/2026 - RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
www.in.gov.br ↗embriões humanos cultivados em laboratório sejam encaminhados, aos interessados, após etapas críticas de processamento
consulta em 04/11/2026 - Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗The blastocyst contains a fluid filled central cavity (blastocoele), an outer layer of cells (trophectoderm) and an inner group of cells (inner cell mass).
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Embryo freezing, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗Embryos can be frozen at different stages of their development
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): In vitro fertilisation (IVF), página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗If fertilisation happens, the resulting embryo(s), will be monitored to check how it’s/they’re developing.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.
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