A transferência é a etapa em que o embrião sai do laboratório e volta ao corpo. É também a etapa em que a norma brasileira traz números concretos: o máximo de embriões transferidos, por idade. Esta página explica o que é o procedimento, as formas que ele pode ter, a sequência geral e o que a norma do Conselho Federal de Medicina e a norma sanitária da Anvisa definem. Quantos embriões transferir em cada caso, dentro do limite, é decisão tomada com o médico responsável.
O que é
O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define a transferência de embriões como a colocação no útero de um embrião, em qualquer estágio de desenvolvimento, depois da fertilização in vitro ou da ICSI. O NHS, serviço público de saúde britânico, descreve que o embrião é colocado no útero com um tubo fino introduzido pela vagina.
A transferência pode acontecer em momentos diferentes. A norma do CFM fala em transferência a fresco, e o glossário define as outras formas:
- Transferência a fresco: o embrião é transferido no ciclo da coleta, sem passar pelo congelamento.
- Transferência adiada: a transferência não acontece no ciclo da coleta, mas mais tarde.
- Ciclo de congelamento total: depois da coleta, todos os oócitos ou embriões são congelados, e nenhum é transferido naquele ciclo.
- Ciclo de transferência de embrião congelado: o ciclo, com acompanhamento, feito com a intenção de transferir embriões descongelados.
O glossário também define a transferência pelo número de embriões. Transferência eletiva é a de um ou mais embriões escolhidos dentro de um grupo maior de embriões disponíveis; quando é de um só embrião escolhido assim, o glossário a chama de transferência eletiva de embrião único. Transferência dupla é a de dois embriões.
Em que situação costuma ser proposta
A transferência é a etapa final de toda técnica em que a fecundação acontece no laboratório: a fertilização in vitro convencional e a ICSI, com óvulos próprios ou doados. Ela também é a etapa em que embriões congelados voltam a ser usados, depois da criopreservação.
A norma brasileira descreve situações em que o embrião é transferido para o útero de outra pessoa. Na gestação compartilhada em união homoafetiva feminina, o embrião obtido a partir da fecundação dos oócitos de uma mulher é transferido para o útero da parceira. Cap. II, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Na gestação de substituição, a cessão temporária do útero, o embrião é transferido para o útero da cedente, nas condições do Capítulo VII, explicadas em cessão temporária de útero. A doação e a cessão passam pela clínica, nas regras da norma; este site não intermedeia doação nem cessão, não conecta pessoas e não recebe cadastro, como explica a página não intermediamos.
Quantos embriões transferir é uma decisão que se toma antes, com o médico, dentro do limite da norma. O NHS registra que, havendo mais de um embrião, o médico discute os riscos e os benefícios de transferir mais de um.
A sequência de etapas
Sem tempo, medicação ou conduta, a transferência costuma seguir esta ordem:
Estimulação ovariana
Etapa conduzida pelo médico responsável, antes da coleta.
▸ A etapaColeta e punção
Os óvulos são retirados em procedimento na clínica.
▸ A etapaCultivo embrionário
A fecundação e os primeiros dias do embrião, no laboratório.
▸ A etapaTransferência de embriões
O embrião é levado ao útero; o número segue a norma.
▸ A etapaCongelamento dos excedentes
Os embriões viáveis que não foram transferidos são criopreservados.
▸ A etapa
- Cultivo dos embriões no laboratório e comunicação aos pacientes do número total de embriões gerados.
- Decisão, com o médico, de quantos embriões serão transferidos a fresco, dentro do limite da norma, ou de congelar todos.
- Assinatura do termo de consentimento, que deve conter a autorização para transferência de embriões, quando couber.
- Transferência, na sala de coleta, em centro cirúrgico ambulatorial ou em consultório ginecológico destinado a isso, contíguo ao laboratório.
- Relatório ao paciente depois da transferência.
- Congelamento dos excedentes viáveis.
- Exame de gravidez, na data marcada pela clínica.
O passo 2 vem da norma do CFM: o número total de embriões gerados em laboratório é comunicado aos pacientes para que decidam quantos embriões serão transferidos a fresco, e os excedentes viáveis devem ser criopreservados. Cap. V, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O passo 3, da norma sanitária, que exige no termo de consentimento, quando couber, a autorização para transferência de embriões. art. 87, II · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 O passo 4 também: o procedimento de transferência deve ser realizado na sala de coleta oocitária, em centro cirúrgico ambulatorial ou em consultório ginecológico destinado a tal finalidade, desde que contíguo ao laboratório de fertilização in vitro. art. 67 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 E o passo 5: o centro encaminha aos pacientes relatórios sobre a evolução dos embriões depois de etapas críticas, entre elas a transferência. art. 88 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026
O que acontece com o embrião antes da transferência está em cultivo embrionário. Quando houve teste genético, o resultado entra na decisão e no limite de embriões, como explica diagnóstico genético (PGT).
O que o orçamento detalha
Sem valores, algumas linhas a conferir no orçamento:
- Se a transferência a fresco está incluída no valor do ciclo.
- Quanto à transferência de embrião congelado: se é outro procedimento, com cobrança própria.
- O descongelamento dos embriões, quando a transferência é de congelado.
- As consultas e os exames do ciclo de transferência de congelado.
- A manutenção dos embriões que continuam congelados depois da transferência.
Uma nova transferência e a manutenção do congelamento estão em custos que aparecem depois. A composição do ciclo, item por item, está em o que forma o custo de um ciclo.
O que perguntar
Perguntas para levar à consulta:
Para levar à consulta
Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸
A sétima pergunta pede atenção ao recorte. Nas definições de resultado de gravidez e de parto, o glossário internacional registra que o denominador precisa ser especificado: ciclos iniciados, ciclos com coleta ou ciclos com transferência. Por isso vale pedir separados os resultados de transferência a fresco e de embrião congelado, como explica o que faz um resultado significar algo.
O que a norma define
As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A transferência é a etapa em que a norma tem os números mais concretos:
Limite por idade. Quanto ao número de embriões a serem transferidos, a resolução determina, de acordo com a idade:
- Mulheres com até 37 anos: até 2 embriões. Cap. I, item 7, alínea a · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
- Mulheres com mais de 37 anos: até 3 embriões. Cap. I, item 7, alínea b · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
- Embriões euploides ao diagnóstico genético: até 2 embriões, independentemente da idade. Cap. I, item 7, alínea c · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
- Doação de oócitos: considera-se a idade da doadora no momento de sua coleta. Cap. I, item 7, alínea d · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
O limite é um teto: a norma diz "até", e não fixa quantos embriões devem ser transferidos em cada caso. O limite também não distingue, no texto, embrião a fresco de embrião congelado. A Exposição de Motivos liga a redução do número de embriões transferidos à mitigação do risco de gestação múltipla. Exposição de Motivos · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A regra completa está em quantos embriões podem ser transferidos.
Gestação múltipla. Em caso de gravidez múltipla decorrente do uso de técnicas de reprodução assistida, é proibida a utilização de procedimentos que visem a redução embrionária. Cap. I, item 8 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Origem única. Na eventualidade de embriões formados por gametas de pacientes ou doadores distintos, a transferência embrionária deve ser realizada com embriões de uma única origem, para a segurança da prole e a rastreabilidade. Cap. IV, item 11 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Responsabilidade. As clínicas, centros ou serviços respondem, entre outras atividades, pela transferência de material biológico humano dos pacientes. Cap. III, caput · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O consentimento livre e esclarecido é obrigatório, com os aspectos médicos detalhadamente expostos e os resultados obtidos naquela unidade com a técnica proposta. Cap. I, item 4 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.
Perguntas frequentes
Quantos embriões podem ser transferidos?
Pela Resolução CFM 2.320/2022, até 2 embriões para mulheres com até 37 anos e até 3 para mulheres com mais de 37; até 2 embriões euploides ao diagnóstico genético, independentemente da idade; e, na doação de oócitos, considera-se a idade da doadora no momento da coleta (Cap. I, item 7).
Como é feita a transferência de embriões?
O NHS, serviço público de saúde britânico, descreve que o embrião é colocado no útero com um tubo fino introduzido pela vagina. A norma sanitária brasileira exige que o procedimento seja feito na sala de coleta, em centro cirúrgico ambulatorial ou em consultório ginecológico destinado a isso, contíguo ao laboratório (RDC 771/2022, art. 67).
Qual a diferença entre transferência a fresco e de embrião congelado?
Na transferência a fresco, o embrião é transferido no mesmo ciclo da coleta. Na de embrião congelado, o glossário internacional descreve um ciclo próprio, com acompanhamento, para transferir embriões descongelados. O limite de embriões do Capítulo I da norma do CFM não distingue, no texto, embrião a fresco de embrião congelado.
A gravidez de gêmeos pode ser reduzida depois?
Não. A Resolução CFM 2.320/2022 proíbe, em caso de gravidez múltipla decorrente das técnicas de reprodução assistida, a utilização de procedimentos que visem a redução embrionária (Cap. I, item 8).
Fontes
- Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
sistemas.cfm.org.br ↗Quanto ao número de embriões a serem transferidos, determina-se, de acordo com a idade
consulta em 04/11/2026 - RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
www.in.gov.br ↗O procedimento de transferência de embriões humanos deve ser realizado na sala de coleta oocitária, em centro cirúrgico ambulatorial ou em consultório ginecológico destinado a tal finalidade, desde que contíguo ao laboratório de fertilização in vitro.
consulta em 04/11/2026 - Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗The transfer of one (a single) embryo selected from a larger cohort of available embryos.
- NHS (serviço público de saúde britânico): IVF, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.nhs.uk ↗If you have more than 1 embryo, your doctor will discuss the risks and benefits of putting in more than 1 embryo.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.
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