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ConsultadaResolução CFM 2.320/2022, texto aberto na fonte em 03/11/2026Res. CFM 2.320/2022 · consultada em 03/11/2026↗
Ciência e Vida

Tratamentos

PGT: o que é o teste genético do embrião

PGT é a sigla em inglês para teste genético pré-implantacional: um exame que analisa o DNA de células retiradas do óvulo ou do embrião, na fertilização in vitro, para a tipagem HLA ou para identificar alterações genéticas. O glossário internacional de 2017 o divide em três tipos: para aneuploidias (PGT-A), para doenças de um único gene (PGT-M) e para rearranjos estruturais dos cromossomos (PGT-SR).

O teste genético do embrião tem muitos nomes no atendimento: PGT, PGT-A, PGD, diagnóstico pré-implantacional, biópsia de embrião. Esta página fica com o recorte técnico: o que é o exame, quais são os tipos, como ele entra na sequência do tratamento, que limites as fontes públicas registram e o que perguntar. O que a norma do Conselho Federal de Medicina permite e proíbe está na página de regras diagnóstico genético pré-implantação, e aqui aparece só em resumo. Quem propõe o teste, e avalia se ele se aplica ao caso, é o médico.

O que é

O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define o teste genético pré-implantacional, conhecido pela sigla em inglês PGT, como o exame que analisa o DNA de oócitos, pelos corpúsculos polares, ou de embriões, no estágio de clivagem ou de blastocisto, para a tipagem HLA ou para identificar alterações genéticas. O mesmo glossário registra que os nomes antigos, diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) e rastreamento genético pré-implantacional (PGS), foram substituídos por PGT.

O glossário divide o teste em três tipos:

  • PGT-A: para aneuploidias. Aneuploidia é, na definição do glossário, o número anormal de cromossomos numa célula.
  • PGT-M: para doenças monogênicas, causadas por defeito num único gene.
  • PGT-SR: para rearranjos estruturais dos cromossomos.

Dois termos aparecem com frequência nos laudos, e o glossário define os dois. Euploidia é a condição da célula cujo número de cromossomos é um múltiplo exato do número haploide, o conjunto simples de cromossomos; na espécie humana, esse múltiplo é normalmente dois, e por isso um embrião normal euploide é também diploide. Mosaicismo é o estado em que há, num mesmo embrião, mais de uma população de células com cariótipo diferente.

Como a amostra é obtida

O teste é feito sobre células retiradas do embrião, numa biópsia. A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve que, para o PGT-A, os embriologistas retiram uma célula, ou várias, se o embrião estiver num estágio mais avançado, e que o resultado da biópsia é usado para representar o embrião inteiro. O glossário classifica a biópsia de gametas ou embriões para o PGT como um dos procedimentos de micromanipulação mais comuns, ao lado da ICSI e da eclosão assistida.

Em que situação costuma ser proposta

As fontes públicas separam os tipos de teste pelo motivo. Para o PGT-M e o PGT-SR, a HFEA lista situações em que o médico pode discutir o teste:

  • Gestação anterior interrompida por uma condição genética grave.
  • Um filho já nascido com condição genética grave, quando se quer evitar que isso se repita.
  • Histórico familiar de condição genética grave.
  • Histórico familiar de alterações nos cromossomos.
  • Abortos espontâneos repetidos causados por alterações cromossômicas.

A HFEA registra que o teste exige fertilização in vitro, mesmo quando o casal não tem problema de fertilidade, porque os embriões precisam ser testados no laboratório. A ICSI também aparece nesse contexto: a HFEA cita o teste genético do embrião entre as situações em que o médico pode recomendá-la, quando espermatozoides presos à parte externa do óvulo atrapalhariam o resultado.

O PGT-A é tratado de outra forma. A HFEA o classifica entre os complementos de tratamento, exames ou procedimentos opcionais oferecidos além do tratamento principal, e publica uma avaliação das evidências, separada por resultado e por grupo de pacientes, com conclusões diferentes para cada um; a página está na lista de fontes. A mesma avaliação registra que, por ser uma ferramenta de seleção, o PGT-A costuma reduzir o número de embriões disponíveis para transferência. É uma avaliação britânica e não decide nenhum caso: ela mostra por que a proposta do PGT-A é uma conversa a ter com o médico, com as razões dele por escrito.

A sequência de etapas

Sem tempo, medicação ou conduta, o teste entra assim na fertilização in vitro:

  1. Estimulação ovariana

    Etapa conduzida pelo médico responsável, antes da coleta.

    ▸ A etapa
  2. Coleta e punção

    Os óvulos são retirados em procedimento na clínica.

    ▸ A etapa
  3. Cultivo embrionário

    A fecundação e os primeiros dias do embrião, no laboratório.

    ▸ A etapa
  4. Transferência de embriões

    O embrião é levado ao útero; o número segue a norma.

    ▸ A etapa
  5. Congelamento dos excedentes

    Os embriões viáveis que não foram transferidos são criopreservados.

    ▸ A etapa
  1. Avaliação e consentimento.
  2. Estimulação ovariana, conduzida pelo médico, e coleta dos óvulos.
  3. Fecundação no laboratório, convencional ou por ICSI.
  4. Cultivo dos embriões até o estágio em que a biópsia é feita.
  5. Biópsia: retirada de células do embrião para a análise.
  6. Análise do DNA e laudo.
  7. Decisão, com o médico, sobre quais embriões transferir e o destino dos demais.
  8. Transferência, a fresco ou depois do congelamento, conforme o caso.

O cultivo está em cultivo embrionário, o congelamento em criopreservação de embriões e a transferência em transferência de embriões.

Os limites do teste

A HFEA descreve os limites com clareza. A biópsia pode danificar o embrião e impedir que ele siga se desenvolvendo. O teste pode dar resultado errado, deixando passar uma alteração ou apontando uma que não existe. Quando o laudo é de mosaicismo, o embrião tem células euploides e aneuploides, e a HFEA registra que as clínicas têm práticas diferentes para testar, relatar e transferir esses embriões. E pode acontecer de nenhum embrião estar apto para a transferência, porque poucos óvulos foram obtidos ou fecundados, porque a biópsia danificou o embrião ou porque todos têm a alteração procurada.

O que o orçamento detalha

Sem valores, algumas linhas a conferir no orçamento do teste:

  • A biópsia de cada embrião, e se ela é cobrada por embrião ou por ciclo.
  • A análise do DNA pelo laboratório de genética, e se ele é da clínica ou de fora.
  • O congelamento dos embriões testados e a guarda deles depois.
  • O descongelamento e a transferência posterior.

O que um orçamento por escrito precisa separar está em o que o orçamento precisa detalhar.

O que perguntar

Perguntas para levar à consulta:

Para levar à consulta

Que tipo de teste está sendo proposto, PGT-A, PGT-M ou PGT-SR, e por qual motivo no meu caso?
Que evidência existe para o teste proposto, na minha situação?
Que laboratório faz a análise, e que limites o exame tem?
O que acontece se o laudo for de mosaicismo?
E se nenhum embrião estiver apto para a transferência?
O que vou decidir, por escrito, sobre os embriões submetidos ao diagnóstico?
Como o resultado do teste entra no número de embriões transferidos?

Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸

O que a norma define

As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O tema está no Capítulo VI, com detalhe na página de regras. Em resumo:

O que ela permite. As técnicas podem ser aplicadas à seleção de embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças. Cap. VI, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 E podem ser utilizadas para tipagem do antígeno leucocitário humano (HLA) do embrião, para selecionar embriões compatíveis com algum irmão já afetado pela doença e cujo tratamento efetivo seja o transplante de células-tronco, de acordo com a legislação vigente. Cap. VI, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

O que ela proíbe. As técnicas não podem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica da criança, exceto para evitar doenças no possível descendente. Cap. I, item 5 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A regra está em escolha do sexo do bebê.

Os embriões euploides. A única menção a eles está no limite de transferência: em caso de embriões euploides ao diagnóstico genético, até 2 embriões, independentemente da idade. Cap. I, item 7, alínea c · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

O destino. Os embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças podem, nesses casos, ser doados para pesquisa ou descartados, conforme a decisão dos pacientes, documentada com consentimento livre e esclarecido. Cap. VI, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

As siglas PGT, PGT-A e PGD e a palavra aneuploidia não aparecem no texto da resolução. Isso não quer dizer que a norma proíba esses exames: ela não os nomeia. A leitura completa, com o que a norma não trata, está em diagnóstico genético pré-implantação.

Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.

Perguntas frequentes

O que é PGT?

É o teste genético pré-implantacional: segundo o glossário internacional de 2017, um exame que analisa o DNA de óvulos, pelos corpúsculos polares, ou de embriões, para a tipagem HLA ou para identificar alterações genéticas. Os nomes antigos, PGD e PGS, foram substituídos por PGT.

Qual a diferença entre PGT-A, PGT-M e PGT-SR?

O PGT-A procura aneuploidias, isto é, número anormal de cromossomos. O PGT-M procura doenças de um único gene. O PGT-SR procura rearranjos na estrutura dos cromossomos. A divisão é do glossário internacional de 2017; a HFEA descreve o PGT-M e o PGT-SR para quem tem uma doença genética grave ou um rearranjo cromossômico conhecido na família.

Para fazer PGT é preciso fazer fertilização in vitro?

Sim. A HFEA registra que, como os embriões precisam ser testados no laboratório, é preciso fazer fertilização in vitro mesmo quando o casal não tem problema de fertilidade.

A norma do CFM permite o PGT?

A Resolução CFM 2.320/2022 permite a seleção de embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças e a tipagem HLA para um irmão já afetado (Cap. VI, itens 1 e 2), e menciona embriões euploides no limite de transferência (Cap. I, item 7, alínea c). As siglas PGT, PGT-A e PGD não aparecem no texto. O recorte completo está na página de regras sobre o diagnóstico genético pré-implantação.

Fontes

  1. Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
    sistemas.cfm.org.br ↗
    em caso de embriões euploides ao diagnóstico genético, até 2 (dois) embriões, independentemente da idade
    consulta em 04/11/2026
  2. Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
    pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗
    A test performed to analyze the DNA from oocytes (polar bodies) or embryos (cleavage stage or blastocyst) for HLA-typing or for determining genetic abnormalities.
  3. HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): PGT-M e PGT-SR, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
    www.hfea.gov.uk ↗
    Because the embryos need to be tested in a lab, you will need to have IVF, even if you and your partner have no fertility problems.
  4. HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): PGT-A, avaliação de complemento de tratamento, consulta em 04/11/2026
    www.hfea.gov.uk ↗
    As it is a selection tool, PGT-A often reduces the number of embryos available for transfer.
  5. HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Intracytoplasmic sperm injection (ICSI), página para pacientes, consulta em 04/11/2026
    www.hfea.gov.uk ↗
    you’re having embryo testing for a genetic condition, and sperm sticking to the outside of the eggs would interfere with the results
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.

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