O teste genético do embrião tem muitos nomes no atendimento: PGT, PGT-A, PGD, diagnóstico pré-implantacional, biópsia de embrião. Esta página fica com o recorte técnico: o que é o exame, quais são os tipos, como ele entra na sequência do tratamento, que limites as fontes públicas registram e o que perguntar. O que a norma do Conselho Federal de Medicina permite e proíbe está na página de regras diagnóstico genético pré-implantação, e aqui aparece só em resumo. Quem propõe o teste, e avalia se ele se aplica ao caso, é o médico.
O que é
O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define o teste genético pré-implantacional, conhecido pela sigla em inglês PGT, como o exame que analisa o DNA de oócitos, pelos corpúsculos polares, ou de embriões, no estágio de clivagem ou de blastocisto, para a tipagem HLA ou para identificar alterações genéticas. O mesmo glossário registra que os nomes antigos, diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) e rastreamento genético pré-implantacional (PGS), foram substituídos por PGT.
O glossário divide o teste em três tipos:
- PGT-A: para aneuploidias. Aneuploidia é, na definição do glossário, o número anormal de cromossomos numa célula.
- PGT-M: para doenças monogênicas, causadas por defeito num único gene.
- PGT-SR: para rearranjos estruturais dos cromossomos.
Dois termos aparecem com frequência nos laudos, e o glossário define os dois. Euploidia é a condição da célula cujo número de cromossomos é um múltiplo exato do número haploide, o conjunto simples de cromossomos; na espécie humana, esse múltiplo é normalmente dois, e por isso um embrião normal euploide é também diploide. Mosaicismo é o estado em que há, num mesmo embrião, mais de uma população de células com cariótipo diferente.
Como a amostra é obtida
O teste é feito sobre células retiradas do embrião, numa biópsia. A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve que, para o PGT-A, os embriologistas retiram uma célula, ou várias, se o embrião estiver num estágio mais avançado, e que o resultado da biópsia é usado para representar o embrião inteiro. O glossário classifica a biópsia de gametas ou embriões para o PGT como um dos procedimentos de micromanipulação mais comuns, ao lado da ICSI e da eclosão assistida.
Em que situação costuma ser proposta
As fontes públicas separam os tipos de teste pelo motivo. Para o PGT-M e o PGT-SR, a HFEA lista situações em que o médico pode discutir o teste:
- Gestação anterior interrompida por uma condição genética grave.
- Um filho já nascido com condição genética grave, quando se quer evitar que isso se repita.
- Histórico familiar de condição genética grave.
- Histórico familiar de alterações nos cromossomos.
- Abortos espontâneos repetidos causados por alterações cromossômicas.
A HFEA registra que o teste exige fertilização in vitro, mesmo quando o casal não tem problema de fertilidade, porque os embriões precisam ser testados no laboratório. A ICSI também aparece nesse contexto: a HFEA cita o teste genético do embrião entre as situações em que o médico pode recomendá-la, quando espermatozoides presos à parte externa do óvulo atrapalhariam o resultado.
O PGT-A é tratado de outra forma. A HFEA o classifica entre os complementos de tratamento, exames ou procedimentos opcionais oferecidos além do tratamento principal, e publica uma avaliação das evidências, separada por resultado e por grupo de pacientes, com conclusões diferentes para cada um; a página está na lista de fontes. A mesma avaliação registra que, por ser uma ferramenta de seleção, o PGT-A costuma reduzir o número de embriões disponíveis para transferência. É uma avaliação britânica e não decide nenhum caso: ela mostra por que a proposta do PGT-A é uma conversa a ter com o médico, com as razões dele por escrito.
A sequência de etapas
Sem tempo, medicação ou conduta, o teste entra assim na fertilização in vitro:
Estimulação ovariana
Etapa conduzida pelo médico responsável, antes da coleta.
▸ A etapaColeta e punção
Os óvulos são retirados em procedimento na clínica.
▸ A etapaCultivo embrionário
A fecundação e os primeiros dias do embrião, no laboratório.
▸ A etapaTransferência de embriões
O embrião é levado ao útero; o número segue a norma.
▸ A etapaCongelamento dos excedentes
Os embriões viáveis que não foram transferidos são criopreservados.
▸ A etapa
- Avaliação e consentimento.
- Estimulação ovariana, conduzida pelo médico, e coleta dos óvulos.
- Fecundação no laboratório, convencional ou por ICSI.
- Cultivo dos embriões até o estágio em que a biópsia é feita.
- Biópsia: retirada de células do embrião para a análise.
- Análise do DNA e laudo.
- Decisão, com o médico, sobre quais embriões transferir e o destino dos demais.
- Transferência, a fresco ou depois do congelamento, conforme o caso.
O cultivo está em cultivo embrionário, o congelamento em criopreservação de embriões e a transferência em transferência de embriões.
Os limites do teste
A HFEA descreve os limites com clareza. A biópsia pode danificar o embrião e impedir que ele siga se desenvolvendo. O teste pode dar resultado errado, deixando passar uma alteração ou apontando uma que não existe. Quando o laudo é de mosaicismo, o embrião tem células euploides e aneuploides, e a HFEA registra que as clínicas têm práticas diferentes para testar, relatar e transferir esses embriões. E pode acontecer de nenhum embrião estar apto para a transferência, porque poucos óvulos foram obtidos ou fecundados, porque a biópsia danificou o embrião ou porque todos têm a alteração procurada.
O que o orçamento detalha
Sem valores, algumas linhas a conferir no orçamento do teste:
- A biópsia de cada embrião, e se ela é cobrada por embrião ou por ciclo.
- A análise do DNA pelo laboratório de genética, e se ele é da clínica ou de fora.
- O congelamento dos embriões testados e a guarda deles depois.
- O descongelamento e a transferência posterior.
O que um orçamento por escrito precisa separar está em o que o orçamento precisa detalhar.
O que perguntar
Perguntas para levar à consulta:
Para levar à consulta
Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸
O que a norma define
As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O tema está no Capítulo VI, com detalhe na página de regras. Em resumo:
O que ela permite. As técnicas podem ser aplicadas à seleção de embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças. Cap. VI, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 E podem ser utilizadas para tipagem do antígeno leucocitário humano (HLA) do embrião, para selecionar embriões compatíveis com algum irmão já afetado pela doença e cujo tratamento efetivo seja o transplante de células-tronco, de acordo com a legislação vigente. Cap. VI, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
O que ela proíbe. As técnicas não podem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica da criança, exceto para evitar doenças no possível descendente. Cap. I, item 5 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A regra está em escolha do sexo do bebê.
Os embriões euploides. A única menção a eles está no limite de transferência: em caso de embriões euploides ao diagnóstico genético, até 2 embriões, independentemente da idade. Cap. I, item 7, alínea c · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
O destino. Os embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças podem, nesses casos, ser doados para pesquisa ou descartados, conforme a decisão dos pacientes, documentada com consentimento livre e esclarecido. Cap. VI, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
As siglas PGT, PGT-A e PGD e a palavra aneuploidia não aparecem no texto da resolução. Isso não quer dizer que a norma proíba esses exames: ela não os nomeia. A leitura completa, com o que a norma não trata, está em diagnóstico genético pré-implantação.
Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.
Perguntas frequentes
O que é PGT?
É o teste genético pré-implantacional: segundo o glossário internacional de 2017, um exame que analisa o DNA de óvulos, pelos corpúsculos polares, ou de embriões, para a tipagem HLA ou para identificar alterações genéticas. Os nomes antigos, PGD e PGS, foram substituídos por PGT.
Qual a diferença entre PGT-A, PGT-M e PGT-SR?
O PGT-A procura aneuploidias, isto é, número anormal de cromossomos. O PGT-M procura doenças de um único gene. O PGT-SR procura rearranjos na estrutura dos cromossomos. A divisão é do glossário internacional de 2017; a HFEA descreve o PGT-M e o PGT-SR para quem tem uma doença genética grave ou um rearranjo cromossômico conhecido na família.
Para fazer PGT é preciso fazer fertilização in vitro?
Sim. A HFEA registra que, como os embriões precisam ser testados no laboratório, é preciso fazer fertilização in vitro mesmo quando o casal não tem problema de fertilidade.
A norma do CFM permite o PGT?
A Resolução CFM 2.320/2022 permite a seleção de embriões submetidos a diagnóstico de alterações genéticas causadoras de doenças e a tipagem HLA para um irmão já afetado (Cap. VI, itens 1 e 2), e menciona embriões euploides no limite de transferência (Cap. I, item 7, alínea c). As siglas PGT, PGT-A e PGD não aparecem no texto. O recorte completo está na página de regras sobre o diagnóstico genético pré-implantação.
Fontes
- Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
sistemas.cfm.org.br ↗em caso de embriões euploides ao diagnóstico genético, até 2 (dois) embriões, independentemente da idade
consulta em 04/11/2026 - Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗A test performed to analyze the DNA from oocytes (polar bodies) or embryos (cleavage stage or blastocyst) for HLA-typing or for determining genetic abnormalities.
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): PGT-M e PGT-SR, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗Because the embryos need to be tested in a lab, you will need to have IVF, even if you and your partner have no fertility problems.
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): PGT-A, avaliação de complemento de tratamento, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗As it is a selection tool, PGT-A often reduces the number of embryos available for transfer.
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Intracytoplasmic sperm injection (ICSI), página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗you’re having embryo testing for a genetic condition, and sperm sticking to the outside of the eggs would interfere with the results
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.
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