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ConsultadaResolução CFM 2.320/2022, texto aberto na fonte em 03/11/2026Res. CFM 2.320/2022 · consultada em 03/11/2026↗
Ciência e Vida

Tratamentos

Congelamento de embriões: como funciona a criopreservação

A criopreservação de embriões é o congelamento dos embriões, por congelamento lento ou por vitrificação, para preservá-los em temperatura extremamente baixa e usá-los depois. Pela Resolução CFM 2.320/2022, os excedentes viáveis devem ser criopreservados, e os pacientes registram por escrito, antes da geração dos embriões, o destino deles em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento.

O congelamento de embriões é a etapa que estende o tratamento para depois do ciclo: o que não foi transferido fica guardado para uso futuro. É também uma etapa com decisões a tomar antes, por escrito. Esta página explica a técnica, em que situações as fontes públicas a descrevem, a sequência geral e o que a norma do Conselho Federal de Medicina e a norma sanitária da Anvisa definem. O que a norma diz sobre o destino dos embriões, e o que ela deixa em aberto, está na página de regras sobre embriões excedentes.

O que é

O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define criopreservação como o processo de congelamento lento ou de vitrificação para preservar material biológico, como gametas, zigotos, embriões e blastocistos, em temperatura extremamente baixa. Ele descreve os dois métodos:

  • Congelamento lento: a temperatura das células é baixada em etapas, em geral num ritmo controlado, da temperatura do corpo ou do ambiente até a temperatura extremamente baixa.
  • Vitrificação: um procedimento ultrarrápido que impede a formação de gelo dentro da célula, cuja parte líquida passa a um estado sólido parecido com vidro.

O processo inverso também tem nome: descongelamento, para o que foi congelado lentamente, e aquecimento, para o que foi vitrificado. O glossário define ainda o banco de embriões como o repositório de embriões criopreservados guardados para uso futuro.

A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve o procedimento: os embriões são colocados numa solução especial com substâncias protetoras, que retiram água do embrião e protegem as células dos danos causados pela formação de cristais de gelo; depois são congelados e guardados até o uso.

Em que situação costuma ser proposta

Segundo a HFEA, num ciclo de fertilização in vitro ou de ICSI pode haver embriões de boa qualidade que não foram transferidos, e a norma do CFM manda criopreservar os excedentes viáveis, como se vê abaixo. A HFEA lista também outras situações:

  • Para ter a opção de usar os embriões no futuro, em vez de fazer outro ciclo completo.
  • Quando o tratamento precisa ser interrompido depois da coleta, por exemplo por uma resposta excessiva à medicação.
  • Antes de um tratamento médico que pode afetar a fertilidade.
  • Quando há risco de lesão ou morte, como em missões militares.
  • Antes de terapia hormonal ou cirurgia em pessoas trans.

O glossário descreve ainda o ciclo de congelamento total, em que, depois da coleta, todos os oócitos ou embriões são congelados e nenhum é transferido naquele ciclo. Para quem vai começar um tratamento oncológico, o caminho está em preservação da fertilidade no tratamento oncológico. Quando a ideia é preservar sem formar embriões, há o congelamento de óvulos e o congelamento de sêmen.

A sequência de etapas

Sem tempo, medicação ou conduta, esta é a ordem que as normas e as fontes citadas permitem descrever:

  1. Estimulação ovariana

    Etapa conduzida pelo médico responsável, antes da coleta.

    ▸ A etapa
  2. Coleta e punção

    Os óvulos são retirados em procedimento na clínica.

    ▸ A etapa
  3. Cultivo embrionário

    A fecundação e os primeiros dias do embrião, no laboratório.

    ▸ A etapa
  4. Transferência de embriões

    O embrião é levado ao útero; o número segue a norma.

    ▸ A etapa
  5. Congelamento dos excedentes

    Os embriões viáveis que não foram transferidos são criopreservados.

    ▸ A etapa
  1. Antes da geração dos embriões, registro por escrito da vontade sobre o destino deles.
  2. Assinatura do termo de consentimento com a autorização para criopreservação.
  3. Cultivo dos embriões e escolha, pela equipe, dos que são adequados para congelar.
  4. Congelamento, pelo método e no estágio definidos pelo laboratório.
  5. Armazenamento, com os embriões identificados e separados das amostras de outros pacientes.
  6. Relatório ao paciente depois do congelamento.
  7. Quando houver uso, descongelamento e transferência.

A HFEA registra que nem todo embrião é adequado para congelar, e que os embriões podem ser congelados com uma célula só, no estágio de duas a oito células ou como blastocisto, estágios explicados em cultivo embrionário.

A norma sanitária brasileira trata do armazenamento. As amostras devem ser armazenadas com clara separação entre elas. art. 83 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 O armazenamento deve distinguir e segregar as amostras liberadas, em quarentena, reagentes ou positivas para agentes infecciosos, e rejeitadas, para evitar trocas e contaminações cruzadas. art. 84 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 E deve haver monitoramento contínuo da temperatura interna e, quando couber, do nível de nitrogênio líquido dos equipamentos de armazenamento, para identificar possíveis falhas. art. 53 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026

O que o orçamento detalha

O congelamento pode gerar custos depois que o ciclo termina, como o da guarda. Sem valores, algumas linhas a conferir:

  • O procedimento de congelamento, e se ele está incluído no ciclo.
  • A manutenção dos embriões congelados, com a periodicidade da cobrança.
  • O que acontece se a manutenção deixar de ser paga.
  • O descongelamento e a transferência futura, se forem cobrados à parte.
  • O transporte, se os embriões forem levados para outra clínica.

Os custos que continuam depois do ciclo estão em custos que aparecem depois.

O que perguntar

Perguntas para levar à consulta, de preferência com a resposta por escrito:

Para levar à consulta

Como a clínica decide quais embriões são viáveis para congelar?
Em que estágio os embriões serão congelados, e por qual método?
Quando vou assinar o termo sobre o destino dos embriões, e posso levá-lo para ler em casa antes?
Por quanto tempo a clínica guarda os embriões, e o que o contrato diz sobre o fim desse período?
Como a clínica monitora o armazenamento e o que acontece em caso de falha?
Que relatório vou receber depois do congelamento e do descongelamento?
Posso mudar a decisão sobre o destino dos embriões depois? Como?

Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸

A sexta pergunta tem base na norma sanitária. O centro de reprodução deve encaminhar aos pacientes relatórios sobre a evolução dos embriões depois de etapas críticas de processamento, como congelamento, descongelamento, descarte e transferência. art. 88 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 A quarta e a sétima tratam de pontos que a norma do CFM não regula: a resposta é da clínica, e vale pedi-la por escrito.

O que a norma define

As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O Capítulo V trata da criopreservação de gametas ou embriões:

O que pode ser criopreservado. As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais. Cap. V, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Os excedentes. O número total de embriões gerados em laboratório é comunicado aos pacientes para que decidam quantos serão transferidos a fresco, e os excedentes viáveis devem ser criopreservados. Cap. V, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

A vontade por escrito. Antes da geração dos embriões, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento de um deles ou de ambos, e se desejam doá-los. Cap. V, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O conflito em caso de separação é tema jurídico, tratado em o que acontece em caso de separação.

Uso depois da morte. É permitida a reprodução assistida post mortem, desde que haja autorização específica para o uso do material biológico criopreservado em vida, de acordo com a legislação vigente. Cap. VIII · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Conservação. As clínicas, centros ou serviços respondem pela conservação e pelo descarte de material biológico humano dos pacientes. Cap. III, caput · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Lida a resolução inteira, ela não fixa prazo de armazenamento, não descreve métodos de congelamento e não trata da manutenção nem de quem arca com ela.

A norma sanitária completa o quadro. O termo de consentimento deve conter, quando couber, a autorização para criopreservação, com informações sobre a possibilidade de redução da viabilidade das amostras e sobre a possibilidade de contaminação cruzada no contêiner de armazenamento. art. 87, III · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 Se o centro encerrar as atividades, deve informar o fato à vigilância sanitária e à Anvisa, no prazo fixado pela norma, e o responsável legal responde pelo destino do material armazenado. art. 5º, caput e § 1º · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026

A doação de embriões passa pela clínica e pelas regras do Capítulo IV da resolução. Este site não intermedeia doação, não conecta pessoas e não recebe cadastro, como explica a página não intermediamos.

Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.

Perguntas frequentes

Como é feito o congelamento de embriões?

O glossário internacional de 2017 descreve dois métodos: o congelamento lento, em que a temperatura é baixada aos poucos, e a vitrificação, um procedimento ultrarrápido que impede a formação de gelo dentro da célula. Qual método a clínica usa é uma pergunta para fazer a ela.

O congelamento pode afetar os embriões?

A norma sanitária brasileira exige que o termo de consentimento da criopreservação informe a possibilidade de redução da viabilidade das amostras e de contaminação cruzada no contêiner de armazenamento (RDC 771/2022, art. 87, III). O que isso significa no caso é uma pergunta para a clínica, antes de assinar.

Por quanto tempo os embriões podem ficar congelados?

Nem a Resolução CFM 2.320/2022 nem a RDC Anvisa 771/2022, lidas inteiras, fixam prazo de armazenamento de embriões. As condições de guarda são uma pergunta para a clínica, e vale pedi-las por escrito. O que a norma diz e deixa em aberto sobre o destino dos embriões está na página de regras sobre embriões excedentes.

Quem decide o que acontece com os embriões congelados?

Os pacientes. A norma do CFM manda que, antes da geração dos embriões, eles manifestem por escrito a vontade sobre o destino dos embriões criopreservados em caso de divórcio, dissolução de união estável ou falecimento de um deles ou de ambos, e se desejam doá-los (Cap. V, item 3).

Fontes

  1. Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
    sistemas.cfm.org.br ↗
    As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais.
    consulta em 04/11/2026
  2. RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
    www.in.gov.br ↗
    da qual constem informações sobre a possibilidade de redução da viabilidade dessas amostras, bem como sobre a possibilidade de ocorrência de contaminação cruzada no contêiner de armazenamento
    consulta em 04/11/2026
  3. Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
    pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗
    The process of slow freezing or vitrification to preserve biological material (e.g. gametes, zygotes, cleavage-stage embryos, blastocysts or gonadal tissue) at extreme low temperature.
  4. HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Embryo freezing, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
    www.hfea.gov.uk ↗
    Not all embryos are suitable for freezing so only good quality embryos will be chosen to freeze.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.

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