O congelamento de óvulos é procurado por motivos muito diferentes: antes de um tratamento contra o câncer, por causa de uma condição de saúde, ou por decisão de adiar a gravidez. Esta página explica o que é a técnica, em que situações as fontes públicas a descrevem, como costuma ser a sequência e o que a norma do Conselho Federal de Medicina diz, inclusive sobre a idade. Se o congelamento faz sentido num caso, e quando, é avaliação do médico.
O que é
O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define a criopreservação de oócitos como o congelamento ou a vitrificação de oócitos para uso futuro. Ela faz parte do que o glossário chama de preservação da fertilidade: as intervenções e técnicas, incluindo a criopreservação de gametas, de embriões ou de tecido ovariano e testicular, para preservar a capacidade reprodutiva.
A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve o congelamento de óvulos como uma forma de preservar a fertilidade da mulher para que ela possa tentar ter filhos mais tarde: os óvulos são coletados, congelados e depois descongelados para uso num tratamento de fertilidade.
A HFEA faz também a ressalva que precisa estar ao lado de qualquer explicação sobre a técnica: ela está melhorando, mas não assegura, de forma alguma, que haverá um bebê.
Óvulo, embrião e tecido ovariano
O glossário diferencia três formas de preservação na mulher. No congelamento de embriões, o óvulo já foi fecundado. No de óvulos, ele é guardado sem fecundação. E na criopreservação de tecido ovariano, um fragmento de tecido retirado do ovário por cirurgia é congelado com a intenção de preservar a capacidade reprodutiva. No homem, a preservação dos gametas é o congelamento de sêmen. Qual forma se aplica é decisão médica.
Em que situação costuma ser proposta
A HFEA lista situações em que uma mulher pode considerar o congelamento dos próprios óvulos:
- Uma condição de saúde, ou um tratamento para ela, que vai afetar a fertilidade, como o câncer.
- Preocupação com a queda da fertilidade sem estar pronta para ter filhos, o que costuma ser chamado de congelamento eletivo.
- Risco de lesão ou morte, como em missões militares.
- Antes de terapia hormonal ou cirurgia em pessoas trans.
- Não querer ter, por razões éticas, embriões que sobrem do tratamento.
A norma brasileira acolhe os dois grandes grupos: ela diz que as técnicas podem ser utilizadas para preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos por razões médicas e não médicas. Cap. I, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Entre os considerandos da resolução estão o aumento da sobrevida após o tratamento de neoplasias malignas, que permite planejar a reprodução antes de uma intervenção com risco de infertilidade, e o adiamento da gestação pela população, com a diminuição das possibilidades de engravidar à medida que a idade avança. Considerandos · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Quem vai começar um tratamento oncológico encontra o caminho em preservação da fertilidade no tratamento oncológico.
A sequência de etapas
Sem tempo, medicação ou conduta, a HFEA descreve esta ordem:
- Testes para doenças infecciosas, que a norma sanitária brasileira também exige, como se vê abaixo.
- Estimulação ovariana, conduzida pelo médico.
- Coleta dos óvulos.
- Em vez de fecundar, os óvulos recebem uma solução protetora.
- Congelamento e guarda.
- Quando houver uso, descongelamento: os óvulos são fecundados por ICSI, e os embriões seguem para cultivo e transferência.
A estimulação tem página própria, estimulação ovariana, que explica por que ela é conduta do médico. A coleta está em coleta e punção.
O glossário dá nome ao ciclo de uso: o ciclo de oócitos descongelados é aquele em que há acompanhamento com a intenção de fecundar os oócitos descongelados e fazer a transferência do embrião. A norma sanitária brasileira exige testes laboratoriais de triagem de quem coleta oócitos para uso próprio, e que a paciente seja informada dos resultados. art. 100 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026
O que o orçamento detalha
O congelamento de óvulos tem custos em três momentos: na coleta, na guarda e no uso. Sem valores, algumas linhas a conferir:
- A estimulação, com a medicação, e se ela está incluída ou é comprada à parte.
- A coleta, e o que nela é cobrado à parte.
- O congelamento em si.
- A guarda dos óvulos, com a periodicidade da cobrança e o que acontece se ela deixar de ser paga.
- O uso futuro: descongelamento, ICSI, cultivo e transferência, e se esses itens estão no orçamento de agora ou serão cobrados depois.
A HFEA recomenda pedir à clínica um plano de tratamento com todos os custos, para não ser surpreendido por extras. Os custos de guarda e de uso futuro estão em custos que aparecem depois.
O que perguntar
Perguntas para levar à consulta, de preferência com a resposta por escrito:
Para levar à consulta
Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸
A sexta pergunta tem um cuidado próprio. A HFEA observa que a técnica mudou ao longo dos anos e que, por isso, dados antigos não são comparáveis aos atuais. O que faz um número de resultado significar algo está em como ler os resultados de uma clínica.
O que a norma define
As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O que ela define sobre o congelamento de óvulos:
A permissão. As técnicas podem ser utilizadas para preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos por razões médicas e não médicas. Cap. I, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonadais. Cap. V, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Até que idade
Lida a resolução inteira, ela não fixa idade para congelar os próprios óvulos. As duas idades que ela fixa tratam de outras situações:
- Para engravidar com as técnicas: a idade máxima das candidatas à gestação é de 50 anos. Cap. I, item 3.1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 As exceções são aceitas com base em critérios técnicos e científicos, fundamentados pelo médico responsável, sobre a ausência de comorbidades não relacionadas à infertilidade da mulher, e após esclarecimento sobre os riscos para a paciente e para os descendentes. Cap. I, item 3.2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O item fala das candidatas à gestação; ele não trata do momento do congelamento. A regra está em limite de idade para fazer FIV.
- Para doar óvulos: a doação de gametas pode ser feita a partir da maioridade civil, com idade limite de 37 anos para a mulher. Cap. IV, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Exceções ao limite feminino podem ser aceitas na doação de oócitos previamente congelados, de embriões previamente congelados e na doação familiar, desde que a receptora seja devidamente esclarecida sobre os riscos que envolvem a prole. Cap. IV, item 3.1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 As regras da doação estão em doação de óvulos.
A falta de uma idade na norma para o congelamento não quer dizer que ele seja adequado em qualquer idade. Quem avalia isso é o médico, com os exames da mulher.
Uso depois da morte. A reprodução assistida post mortem é permitida desde que haja autorização específica para o uso do material biológico criopreservado em vida, de acordo com a legislação vigente. Cap. VIII · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Consentimento. A norma sanitária exige que o termo de consentimento contenha, quando couber, a autorização para criopreservação das células germinativas, com informações sobre a possibilidade de redução da viabilidade das amostras e de contaminação cruzada no contêiner de armazenamento. art. 87, III · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 A doação passa pela clínica, nas regras da norma; este site não intermedeia doação, não conecta pessoas e não recebe cadastro, como explica a página não intermediamos.
Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.
Perguntas frequentes
Até que idade é possível congelar óvulos?
A Resolução CFM 2.320/2022 não fixa idade para congelar os próprios óvulos. As idades que ela fixa são outras: 50 anos para as candidatas à gestação, com exceções fundamentadas pelo médico (Cap. I, itens 3.1 e 3.2), e 37 anos para a mulher que doa gametas, com exceções que incluem oócitos previamente congelados (Cap. IV, itens 3 e 3.1). Se o congelamento é adequado em cada idade, quem avalia é o médico.
Como é feito o congelamento de óvulos?
Segundo a HFEA, o processo segue a fertilização in vitro até a coleta: há estimulação ovariana, conduzida pelo médico, e a coleta dos óvulos. Em vez de serem fecundados, eles recebem uma solução protetora e são congelados e guardados. Como cada etapa é conduzida é decisão da equipe médica.
Congelar óvulos assegura uma gravidez no futuro?
Não. A HFEA registra que a técnica está melhorando, mas que ela não assegura, de forma alguma, que haverá um bebê. A norma sanitária brasileira exige que o termo de consentimento da criopreservação informe a possibilidade de redução da viabilidade das amostras (RDC 771/2022, art. 87, III), e, depois do descongelamento, os óvulos ainda passam pela fecundação, pelo cultivo e pela transferência.
Qual a diferença entre congelar óvulos e congelar embriões?
No congelamento de óvulos, o oócito é guardado sem ser fecundado. No de embriões, o óvulo já foi fecundado e se desenvolveu no laboratório. A HFEA cita, entre os motivos para congelar óvulos, não querer ter embriões que sobrem do tratamento, por razões éticas.
Fontes
- Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
sistemas.cfm.org.br ↗preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos por razões médicas e não médicas
consulta em 04/11/2026 - RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
www.in.gov.br ↗autorização para criopreservação das células germinativas, tecidos germinativos ou embriões humanos
consulta em 04/11/2026 - Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗The freezing or vitrification of oocytes for future use.
- HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Egg freezing, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.hfea.gov.uk ↗It’s becoming more successful but by no means a guarantee of having a baby.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.
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