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ConsultadaResolução CFM 2.320/2022, texto aberto na fonte em 03/11/2026Res. CFM 2.320/2022 · consultada em 03/11/2026↗
Ciência e Vida

Tratamentos

Inseminação artificial (intrauterina): como funciona e a diferença para a FIV

A inseminação intrauterina é o procedimento em que espermatozoides preparados no laboratório são colocados dentro do útero, e a fecundação acontece no corpo. É diferente da fertilização in vitro, em que a fecundação acontece no laboratório. Pode ser feita com sêmen do parceiro ou de doador, e quem indica é o médico, depois da avaliação.

Na inseminação artificial, a fecundação acontece dentro do corpo; na fertilização in vitro, no laboratório. Esta página explica o que ela é, a diferença para a fertilização in vitro, em que contextos as fontes públicas a descrevem e o que a norma do Conselho Federal de Medicina define. O nome técnico é inseminação intrauterina, porque os espermatozoides são colocados dentro do útero.

O que é

O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, define a inseminação intrauterina como o procedimento em que espermatozoides processados em laboratório são colocados no útero para tentar uma gravidez. O mesmo glossário descreve o preparo dos espermatozoides, chamado em inglês de lavagem, como a separação deles do líquido seminal, e registra que esse preparo pode ser usado para remover o líquido seminal e agentes infecciosos antes da inseminação e das outras técnicas.

Quando o sêmen vem de um doador, o glossário chama o procedimento de inseminação com doador. A HFEA, autoridade britânica que regula a reprodução assistida, descreve a inseminação como um tratamento em que os espermatozoides de qualidade superior são separados dos lentos, parados ou com forma alterada, e depois colocados diretamente no útero.

A norma sanitária brasileira inclui a inseminação no conceito de reprodução humana assistida, que abrange as técnicas utilizadas para obtenção de gravidez sem relação sexual. art. 3º, XXXI · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026

Diferença entre FIV e inseminação

Na inseminação, a fecundação acontece dentro do corpo: os espermatozoides são colocados no útero e o encontro com o óvulo acontece naturalmente. Na fertilização in vitro, os óvulos são retirados do corpo e fecundados no laboratório, e o embrião é depois transferido ao útero. A HFEA resume a diferença dizendo que, na inseminação, o corpo faz mais por conta própria. A mesma página alerta que a inseminação não é, em todos os casos, uma alternativa mais simples à FIV: a escolha entre as duas depende da avaliação.

O glossário internacional marca a mesma diferença de outro jeito. Ele chama de técnicas de reprodução assistida, em sentido estrito, as que manipulam óvulos e espermatozoides, ou embriões, fora do corpo, e deixa a inseminação de fora desse grupo. Ela aparece no conjunto mais amplo da reprodução medicamente assistida, que inclui a inseminação com sêmen do parceiro ou de doador.

Em que situação costuma ser proposta

Quem indica a inseminação é o médico, depois da avaliação. A HFEA descreve a técnica como usada com frequência por quem usa sêmen de doador, incluindo mulheres sozinhas e casais de mulheres, e também por alguns casais heterossexuais. A página dela lista:

  • Pessoas que precisam de sêmen doado e não têm problema de fertilidade feminina, incluindo mulheres sozinhas e casais de mulheres.
  • Casais que não conseguem, ou têm grande dificuldade para, ter relação sexual com penetração, por deficiência física ou por questão psicossexual.
  • Situações em que a gravidez precisa de ajuda específica para acontecer com segurança, como no homem que vive com HIV e passou pela lavagem do sêmen.

A mesma página registra que só é possível fazer a inseminação com trompas abertas e saudáveis, e que a clínica confere isso antes, e lista também situações em que ela não é adequada. Essas observações não servem para decidir nenhum caso, e este site não as transforma em lista para o leitor se avaliar: elas mostram que a escolha entre inseminação e FIV depende da avaliação, descrita em investigação da infertilidade.

A sequência de etapas

A ordem varia conforme a indicação. Sem tempo, medicação ou conduta de cada fase, a HFEA descreve:

  1. Avaliação, que inclui conferir se as trompas estão abertas.
  2. Uma etapa de estimulação ovariana, conduzida pelo médico, ou a inseminação no ciclo natural da mulher, sem estimulação.
  3. Acompanhamento, que, quando há estimulação, confere quantos folículos se desenvolvem.
  4. Preparo do sêmen no laboratório, para separar os espermatozoides de qualidade superior.
  5. Inseminação: os espermatozoides preparados são colocados no útero.
  6. Exame de gravidez, na data marcada pela clínica.

A etapa de estimulação tem página própria, estimulação ovariana, que explica por que ela é conduta do médico. A HFEA registra que o principal risco da inseminação é a gestação múltipla, ligado ao número de folículos, e portanto de óvulos, que se desenvolvem; por isso o acompanhamento é da equipe médica.

Quando o sêmen é do parceiro, a norma sanitária exige testes laboratoriais de triagem de quem realiza coleta de sêmen para uso próprio. art. 99 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 A sala de coleta de sêmen deve assegurar o conforto e a privacidade do paciente ou doador. art. 73 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 O congelamento do sêmen, do parceiro ou de doador, está explicado em congelamento de sêmen.

O que o orçamento detalha

Este site não publica valor, faixa nem tabela. Para ler o orçamento de uma inseminação, algumas linhas a conferir:

  • Consultas e exames da avaliação, inclusive o exame das trompas.
  • A medicação, se houver estimulação, e se ela está incluída ou é comprada à parte.
  • Os exames de acompanhamento durante o ciclo.
  • O preparo do sêmen no laboratório.
  • O uso de sêmen de banco, quando houver, e o que está incluído nos serviços de armazenamento e de transporte.
  • O procedimento de inseminação.

A composição do custo, item por item, está em o que forma o custo de um ciclo. Sobre cobertura, o que diz a regra do plano de saúde está em plano de saúde cobre FIV, e a oferta na rede pública, em reprodução assistida no SUS.

O que perguntar

Perguntas para levar à consulta:

Para levar à consulta

Por que a inseminação foi proposta no meu caso, e não a fertilização in vitro?
Como foi conferido que as trompas estão abertas?
O ciclo vai ter estimulação ovariana ou será no ciclo natural, e por quê?
Como a clínica acompanha o número de folículos e o que acontece se houver mais do que o esperado?
Quais são os resultados desta clínica com a técnica proposta, por escrito, com o período, a faixa de idade e o denominador?
Se o sêmen for de doador, de que banco ele vem e que informações sobre o doador a norma permite que eu receba?

Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸

O que a norma define

As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Lida a resolução inteira, ela não cita a inseminação pelo nome. As regras gerais valem para todas as técnicas, e as de doação valem quando o sêmen é de doador:

Quem pode ser paciente. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites da resolução podem ser receptoras das técnicas, desde que os participantes estejam de inteiro acordo e devidamente esclarecidos. Cap. II, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A Exposição de Motivos acrescenta que as famílias monoparentais e os casais, unidos ou não pelo matrimônio, têm igualdade de direitos para dispor das técnicas. Exposição de Motivos · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Consentimento. O consentimento livre e esclarecido é obrigatório para todos os pacientes submetidos às técnicas de reprodução assistida, com os resultados obtidos naquela unidade com a técnica proposta. Cap. I, item 4 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Sem seleção de sexo. As técnicas não podem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica da criança, exceto para evitar doenças no possível descendente. Cap. I, item 5 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026

Sêmen de doador. A doação não pode ter caráter lucrativo ou comercial. Cap. IV, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa, com a exceção da doação para parentes de até 4º grau de um dos receptores, desde que não incorra em consanguinidade. Cap. IV, item 2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A doação de gametas pode ser feita a partir da maioridade civil, e a idade limite para o homem é de 45 anos. Cap. IV, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 No uso de banco de gametas, a responsabilidade pela seleção dos doadores é exclusiva dos usuários. Cap. IV, item 10 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 O registro dos nascimentos deve evitar que um doador tenha produzido mais de 2 nascimentos de crianças de sexos diferentes numa área de 1 milhão de habitantes, exceto quando uma mesma família receptora escolher o mesmo doador. Cap. IV, item 6 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 As regras completas estão em doação de sêmen e em anonimato do doador.

Do lado sanitário, as amostras de sêmen de doador devem permanecer separadas, em contêiner de material não liberado, até a repetição dos testes laboratoriais exigidos. art. 96, § 5º · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 A doação passa pela clínica e pelo banco, nas regras da norma. Este site não intermedeia doação, não conecta pessoas e não recebe cadastro, como explica a página não intermediamos.

Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.

Perguntas frequentes

O que é inseminação artificial?

É o procedimento em que espermatozoides preparados no laboratório são colocados no útero, segundo o glossário internacional de 2017, que a chama de inseminação intrauterina. A fecundação, depois, acontece dentro do corpo.

Qual a diferença entre FIV e inseminação?

Na inseminação, os espermatozoides são colocados no útero e a fecundação acontece no corpo. Na fertilização in vitro, os óvulos são retirados e fecundados no laboratório, e o embrião é depois transferido ao útero. Qual das duas se aplica a um caso é avaliação do médico.

A inseminação pode ser feita com sêmen de doador?

Sim. O glossário chama esse caso de inseminação com doador. No Brasil, valem as regras do Capítulo IV da Resolução CFM 2.320/2022: a doação não pode ter caráter lucrativo ou comercial; há sigilo sobre a identidade de doadores e receptores, salvo a doação para parentes de até 4º grau de um dos receptores, desde que não incorra em consanguinidade; e, no uso de banco de gametas, a seleção do doador é dos usuários.

Quem pode fazer inseminação artificial?

A norma do CFM diz que todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites da resolução podem ser receptoras das técnicas (Cap. II, item 1). Se a técnica é adequada ao caso, quem avalia é o médico.

Fontes

  1. Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
    sistemas.cfm.org.br ↗
    A responsabilidade pela seleção dos doadores é exclusiva dos usuários quando da utilização de banco de gametas ou embriões.
    consulta em 04/11/2026
  2. RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
    www.in.gov.br ↗
    inclui as técnicas utilizadas para obtenção de gravidez sem relação sexual
    consulta em 04/11/2026
  3. Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
    pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗
    A procedure in which laboratory processed sperm are placed in the uterus to attempt a pregnancy.
  4. HFEA (autoridade britânica de fertilização e embriologia): Intrauterine insemination (IUI), página para pacientes, consulta em 04/11/2026
    www.hfea.gov.uk ↗
    You can only have IUI if your fallopian tubes are open and healthy.
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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.

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