Antes de qualquer técnica de reprodução assistida vem a investigação: a consulta e os exames que procuram entender por que a gravidez não está acontecendo. Esta página explica o que é essa investigação, qual é o critério de tempo usado nas definições oficiais, a ordem geral das etapas e o que a norma do Conselho Federal de Medicina diz. Ela não traz lista de sinais nem de sintomas, e não serve para avaliar ninguém: a avaliação é clínica, feita pelo médico, em consulta.
O que é
A Organização Mundial da Saúde define a infertilidade como uma doença do sistema reprodutor masculino ou feminino, caracterizada pela falta de gravidez depois de 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção. A mesma nota descritiva registra que a infertilidade pode ter causas masculinas, femininas ou inexplicadas, e que os cuidados de fertilidade reúnem a prevenção, o diagnóstico e o tratamento.
O glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, de 2017, usa a mesma medida de tempo e acrescenta outra forma de definir: a infertilidade também pode ser caracterizada por uma limitação da capacidade de reproduzir, da pessoa sozinha ou com o parceiro ou a parceira. A OMS distingue ainda a infertilidade primária, quando a pessoa nunca teve uma gravidez, da secundária, quando houve ao menos uma gravidez antes.
A investigação é a parte do diagnóstico. O NHS, serviço público de saúde britânico, descreve como ela começa: o médico pergunta sobre a história médica e sexual, sobre gestações e filhos anteriores, sobre há quanto tempo o casal tenta, sobre a contracepção usada antes, sobre os medicamentos em uso e sobre hábitos de vida; depois pode fazer o exame físico ou encaminhar para exames. É uma conversa e um exame, e não um formulário que se responda sozinho.
O NHS registra também que é preferível que os dois parceiros vão à consulta, porque o problema de fertilidade pode estar em um ou em ambos. O glossário, por sua vez, define a infertilidade de causa feminina e a de causa masculina, e define a infertilidade sem causa explicada, a do casal em que a avaliação não encontra alteração; e registra que esse diagnóstico depende dos métodos usados e disponíveis.
Em que situação costuma ser proposta
O critério que as definições oficiais usam é o tempo de tentativa. É ele que está na definição da OMS: a falta de gravidez depois de 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção.
O glossário internacional faz a ressalva que impede de transformar esse número numa regra fixa: as intervenções de fertilidade podem começar antes de 1 ano, com base na história médica, sexual e reprodutiva, na idade, no exame físico e nos testes. Ou seja, o tempo é o ponto de partida das definições, e não um prazo para ninguém. Quem pesa esses elementos é o médico, em consulta, e não uma lista de sinais; quando procurar a consulta é decisão de cada pessoa.
A investigação também não é só para casais heterossexuais que tentam engravidar. A OMS registra que pessoas muito diferentes podem precisar de cuidados de fertilidade, entre elas casais do mesmo sexo, pessoas mais velhas, pessoas sem relacionamento sexual e pessoas com certas condições de saúde, como sobreviventes de câncer. Para quem vai começar um tratamento oncológico, a preservação da fertilidade tem página própria: preservação da fertilidade no tratamento oncológico.
A sequência de etapas
Sem tempo, medicação ou conduta, esta é a ordem geral que as fontes citadas permitem descrever:
- Consulta, com a história médica, sexual e reprodutiva da pessoa ou do casal.
- Exame físico.
- Exames de laboratório e de imagem, na mulher e no homem, escolhidos pelo médico conforme a história.
- Retorno, com a leitura dos resultados e a hipótese diagnóstica.
- Conversa sobre as opções, que podem incluir tratamento de uma causa encontrada, uma técnica de reprodução assistida ou nenhuma intervenção ativa.
- Se houver indicação de técnica, consentimento e início do tratamento.
O passo 5 inclui uma opção que o glossário internacional define com nome próprio: o manejo expectante da fertilidade, o cuidado sem intervenção clínica ou terapêutica ativa, além de informação e orientação. Nem toda investigação termina numa técnica. Quando termina, duas das técnicas estão explicadas em inseminação artificial e em fertilização in vitro, e a etapa de estimulação ovariana, que pode fazer parte das duas, é conduta do médico.
A norma sanitária também exige testes laboratoriais de triagem de quem coleta sêmen ou oócitos para uso próprio. arts. 99 e 100 · RDC Anvisa 771/2022 · consulta em 04/11/2026 É uma exigência ligada à coleta para o tratamento, e não uma lista de exames da investigação, que é definida pelo médico.
O que o orçamento detalha
A investigação tem custos próprios, de consulta e de exames, antes de qualquer técnica. Sem valores, algumas linhas a conferir:
- A consulta inicial e os retornos.
- Os exames pedidos, e quais deles o plano de saúde cobre.
- Exames que precisem ser repetidos.
- A consulta com outros especialistas, se houver encaminhamento.
O que o plano de saúde cobre nessa fase está em o que o plano cobre na investigação. Para quem procura onde fazer os exames pedidos, o examesperto.com reúne laboratórios e clínicas de imagem. O que forma o custo de um tratamento, se ele vier, está em o que forma o custo de um ciclo.
O que perguntar
Perguntas para levar à consulta:
Para levar à consulta
Outras perguntas, com espaço para anotar, em o que perguntar na primeira consulta ▸
Outras perguntas, para a primeira consulta numa clínica de reprodução assistida, estão em o que perguntar na primeira consulta.
O que a norma define
As normas éticas para o uso das técnicas de reprodução assistida estão na Resolução CFM 2.320/2022, adotada como dispositivo deontológico a ser seguido pelos médicos. art. 1º · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 Lida a resolução inteira, ela não define infertilidade, não lista exames de investigação e não fixa tempo de tentativa para a consulta. O que ela traz e toca esta etapa:
A infertilidade como problema de saúde. Entre os considerandos da resolução está a infertilidade humana como um problema de saúde, com implicações médicas e psicológicas, e a legitimidade do anseio de superá-la. Considerandos · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Quando as técnicas podem ser usadas. As técnicas podem ser utilizadas desde que exista possibilidade de sucesso e que o risco grave à saúde da paciente ou do possível descendente seja pouco provável. Cap. I, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Idade. A idade máxima das candidatas à gestação por técnicas de reprodução assistida é de 50 anos, com exceções fundamentadas pelo médico responsável. Cap. I, itens 3.1 e 3.2 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026 A regra está em limite de idade para fazer FIV.
Quem pode ser paciente. Todas as pessoas capazes que tenham solicitado o procedimento e cuja indicação não se afaste dos limites da resolução podem ser receptoras das técnicas. Cap. II, item 1 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Registro dos exames. A clínica que aplica as técnicas mantém registro permanente dos exames laboratoriais a que são submetidos os pacientes, com a finalidade de evitar a transmissão de doenças. Cap. III, item 3 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Consentimento. Se a investigação levar a uma técnica, o consentimento livre e esclarecido é obrigatório, com os aspectos médicos detalhadamente expostos e os resultados obtidos naquela unidade com a técnica proposta. Cap. I, item 4 · Res. CFM 2.320/2022 · consulta em 04/11/2026
Conteúdo informativo, produzido pela Redação BYTX a partir de fontes públicas, listadas ao fim da página. Sem revisão médica declarada.
Perguntas frequentes
Quais exames investigam a infertilidade?
Não existe uma lista que sirva para todo caso. A investigação é clínica: o médico ouve a história, examina e pede os exames de laboratório e de imagem que considera necessários, na mulher e no homem. Por isso este site não publica lista de exames como se fosse um pedido médico.
Depois de quanto tempo tentando engravidar vale procurar avaliação?
A OMS define infertilidade como a falta de gravidez depois de 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção. O glossário internacional de 2017 registra que as intervenções podem começar antes de 1 ano, com base na história médica, sexual e reprodutiva, na idade, no exame físico e nos testes. Quando procurar é uma decisão de cada pessoa, e o momento da avaliação é discutido com o médico.
Existe teste de fertilidade para fazer em casa?
Este site não indica teste nem interpreta resultado. A investigação da infertilidade, pelas fontes consultadas, é feita em consulta, com história, exame físico e testes escolhidos pelo médico conforme o caso.
O homem também precisa ser avaliado?
As fontes públicas tratam a investigação como sendo do casal. A OMS registra que a infertilidade pode ter causas masculinas, femininas ou inexplicadas, e o NHS, serviço público de saúde britânico, recomenda que os dois parceiros vão à consulta, porque o problema pode estar em um ou em ambos.
Fontes
- OMS (Organização Mundial da Saúde): Infertility, nota descritiva de 28/11/2025, consulta em 04/11/2026
www.who.int ↗Infertility is a disease of the male or female reproductive system defined by the failure to achieve a pregnancy after 12 months or more of regular unprotected sexual intercourse.
- Glossário internacional de infertilidade e cuidados de fertilidade, 2017 (Zegers-Hochschild F. e outros, Human Reproduction, v. 32, p. 1786), consulta em 04/11/2026
pmc.ncbi.nlm.nih.gov ↗Fertility interventions may be initiated in less than 1 year based on medical, sexual and reproductive history, age, physical findings and diagnostic testing.
- NHS (serviço público de saúde britânico): Infertility, diagnosis, página para pacientes, consulta em 04/11/2026
www.nhs.uk ↗It's always best for both partners to visit the GP as fertility problems can affect either or both partners.
- Res. CFM 2.320/2022: normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida (D.O.U. de 20/09/2022)
sistemas.cfm.org.br ↗a infertilidade humana como um problema de saúde, com implicações médicas e psicológicas
consulta em 04/11/2026 - RDC Anvisa 771/2022: boas práticas em células germinativas, tecidos germinativos e embriões humanos para uso terapêutico (D.O.U. de 28/12/2022)
www.in.gov.br ↗Pacientes que realizam coleta de sêmen, para uso próprio, devem ser submetidos aos seguintes testes laboratoriais
consulta em 04/11/2026
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente, e a indicação, o protocolo e a conduta são definidos pelo médico responsável, em avaliação presencial. Procure um profissional ou um serviço de saúde. Este site não avalia caso, não estima chance e não indica tratamento nem clínica.
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